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A derrubada dos decretos governamentais do IOF no Congresso Nacional, mais expressiva derrota do presidente Lula em seu terceiro mandato, gerou uma ressaca política no Ceará. Dos 22 deputados federais cearenses, 17 votaram a favor da derrubada, contrariando diretamente o Palácio do Planalto. E, entre eles, 12 são de grupos aliados ao governador Elmano de Freitas (PT), o que expôs desconforto na base petista.
Na bancada do estado, os três petistas, José Guimarães, Luizianne Lins e José Airton, ficaram sozinhos da defesa do governo, observando aliados seus no Ceará votarem contra o Planalto, inclusive membros de PSB, PSD, MDB e PDT.
No fim de semana, em evento do PT em Crateús, Elmano foi questionado sobre a derrota de Lula no Congresso, e demonstrou insatisfação.
Embora tenha evitado mencionar diretamente os parlamentares do estado, a declaração dele sobre os que votaram contra o governo foi bem direta: “Eles pensam diferente do PT. A nossa visão é de que quem tem mais (os milionários) deve pagar mais impostos e quem tem menos deve pagar menos ou não pagar”, disse Elmano, alfinetando os que, na visão do partido, protegeram os mais ricos ao votarem contra a taxação.
Ele foi além, ao dizer que o Congresso “acha que o governo não deve cobrar dos milionários, mas sim cortar da educação e da saúde dos brasileiros”.
Nos bastidores, houve insatisfação do Palácio da Abolição. O incômodo é ainda maior com parlamentares cujos partidos têm assento em ministérios do governo federal, mas que, no momento decisivo, se alinharam à oposição.
A postura dos aliados em Brasília trouxe "constrangimento" inclusive pelo fato de que o líder do governo Lula na Câmara é o cearense José Guimarães.
Essa fissura, ainda que tratada como pontual por lideranças governistas, soma-se ao caldeirão de especulações sobre o futuro da base de Lula e dos impactos disso no cenário estadual.
Nacionalmente, a ampla aliança que o PT formou em 2022, com partidos de centro e centro-direita, já mostrou seus limites, apontando para dificuldades no próximo ano.
No Ceará, onde o PT lidera uma coalizão abrangente, que vai do PSB a setores do União Brasil, passando por PDT e MDB, o episódio remete às dificuldades de formatação da chapa majoritária de 2026.
O grupo partidário governista atual parece dar certo conforto ao governo, mas as movimentações nacionais, como já abordamos nesta Coluna, podem trazer dificuldades.
Neste sentido, a votação do IOF foi, além de uma derrota fiscal, um termômetro da lealdade de aliados e um prenúncio do que pode vir pela frente no campo nacional para Lula, com reflexo nas articulações locais para Elmano.
*Ambos são aliados de Elmano e faltaram à votação