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No 1º dia do tarifaço, 27 contêineres com castanha de caju e pescados deixam de embarcar no Ceará

Boa parte das exportações cearenses ficou de fora de lista de isenções e tem tarifa de 50%

Publicada em 07/08/25 às 09:12h - 71 visualizações

por DN


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 (Foto: Kid Jr)

Pelo menos 27 contêineres de mercadorias cearenses que seriam embarcados aos Estados Unidos tiveram o envio suspenso nesta quarta-feira (6), primeiro dia do tarifaço de 50% para a entrada de produtos brasileiros no país. 

Ao todo, 20 contêineres que seriam embarcados são de castanha de caju. Os outros sete levariam pescados aos EUA. A informação foi confirmada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, durante coletiva de imprensa, na tarde desta quarta-feira (6), na sede da entidade. 

O porta-voz da Fiec comentou os efeitos esperados do tarifaço nas indústrias cearenses. Como comprar produtos brasileiros ficará mais caro para os estadunidenses, há expectativa de queda na demanda e, consequentemente, diminuição das produções cearenses.

“Nós tivemos o setor de castanhas, que não embarcou 20 contêineres. E mais sete de pescados. Por quê? Porque a taxação já seria de 50%. Inviabiliza qualquer empresa. É uma taxação muito abusiva, chega a ser desestimuladora para qualquer país”, afirmou.

Ricardo Cavalcante ressaltou que, para os produtos alimentícios, há risco para toda a cadeia de produção. Os pescados, por exemplo, envolvem seis mil embarcações em todo o Estado, com cerca de 20 mil pescadores.

Para o setor da castanha de caju, os impactos podem ser ainda mais graves, já que estamos no início da safra. Ou seja, grande parte da produção não chegou a ser enviada. É a mesma situação da cera de carnaúba.

“A nossa preocupação não é só com essa taxação na empresa, é com o tamanho da cadeia que existe por trás. No momento em que a cadeia se quebra, começar novamente é uma coisa muito séria. É um volume de empregos muito grande”, afirma.

OITO MIL EMPREGOS ATINGIDOS NO CEARÁ NO PRIMEIRO MOMENTO

A estimativa é que 8 mil empregos no Ceará sejam afetados nesse primeiro momento de impactos do tarifaço dos Estados Unidos. 

Nacionalmente, são 110 mil empregos em risco, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 

“Nós estamos falando de empregos, falando da estrutura industrial, da estrutura da agricultura e do comércio do país. A nossa preocupação é basicamente essa”, afirmou Ricardo Cavalcante. 

O presidente da Fiec ressaltou a expectativa de que o governo brasileiro siga em negociações com os Estados Unidos

Ao oficializar o tarifaço, os Estados Unidos divulgaram uma lista de produtos isentos da sobretaxa, que seguem apenas com tarifa de 10%. Entre os itens estão suco de laranja, aeronaves, carros e caminhões, ferro e fertilizantes.

A grande maioria do que é exportado pelo Ceará, entretanto, terá o tarifaço de 50%: aço, pescados, calçados, castanha de caju, sucos, frutas, mel, cera de carnaúba, entre outros produtos.

MEDIDAS DE APOIO ÀS EMPRESAS EXPORTADORAS

O Governo do Ceará anunciou, nesta quarta-feira (6), um pacote de medidas de apoio às empresas cearenses exportadoras. Um projeto de lei foi enviado à Assembleia Legislativa e aprovado com unanimidade.

O plano está segundo o pleiteado pelos setores produtivos. As medidas incluem: 

  • Priorizar a compra de produtos cearenses no Ceará Sem Fome: Pescados, Mel, Água de Coco e Castanha;
  • Pagamento de créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
  • Incentivos fiscais por meio do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI).

A Fiec também apresentou medidas ao Governo Federal, em reunião com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na última semana. Veja algumas demandas:

  • Retorno da alíquota do REINTEGRA para o mínimo de 3%, de todas as exportações do Estado;
  • Pagamento imediato de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e demais tributos federais;
  • Pagamento de créditos da Lei Kandir, que isentou as exportações de produtos da cobrança do ICMS;
  • Prorrogação de empréstimos de setores e linhas de capital de giro subsidiados;
  • Cota de exportação de aço para os EUA. 



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