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8 de Março: mulheres vão às ruas com foco no combate à violência

Publicada em 09/03/26 às 08:55h - 49 visualizações

por O Estado


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 (Foto: Reprodução)
O Dia Internacional da Mulher foi marcado por mobilizações em todas as cinco regiões do país, em uma jornada que recolocou no centro do debate a violência de gênero e a proteção à vida das mulheres. As manifestações reuniram uma pauta ampla, mas que teve como eixo principal a denúncia do feminicídio, das agressões cotidianas e da persistência de desigualdades estruturais. Uma das organizações que impulsionaram os atos, a Articulação de Mulheres Brasileiras, disse que a presença nas ruas é uma resposta à escalada da violência e à insuficiência das políticas de proteção.

Em Belo Horizonte (MG), 160 cruzes foram colocadas na Praça da Liberdade. O ato representou as mulheres que foram vítimas de feminicídio no estado de Minas Gerais em 2025 e 2026. A última vítima foi morta a facadas, na cidade de Santa Luzia, em pleno Dia Internacional da Mulher. Em São Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista. Elas saíram em caminhada até a Praça Roosevelt, segurando faixas que pediam pelo fim da violência contra as mulheres no país. O ato ocorreu simultaneamente em várias cidades brasileiras. “Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as manifestantes.

No Rio de Janeiro, uma grande marcha na Praia de Copacabana reuniu milhares de manifestantes que ocuparam a orla para denunciar o feminicídio, cobrar o enfrentamento à violência de gênero e exigir mais recursos públicos para políticas de igualdade. O ato reuniu coletivos feministas, artistas, famílias e militantes de diferentes gerações, transformando um dos cartões-postais mais conhecidos do país em espaço de protesto e afirmação política.
No carro de som, representantes de diversos movimentos se revezaram na leitura de um manifesto que articulava demandas sociais, trabalhistas e de proteção. Entre as reivindicações apresentadas estavam a criminalização de grupos que promovem o ódio às mulheres, a ampliação das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Também teve destaque a defesa do fim da escala de trabalho 6×1, apontada por participantes como uma medida importante para aliviar a sobrecarga que recai de forma desproporcional sobre as mulheres.

Em Fortaleza, a agenda foi marcada por duas mobilizações, ambas centradas no enfrentamento ao feminicídio e às violências de gênero, mas organizadas por grupos com perfis e pautas distintas. Na Barra do Ceará, movimentos de mulheres, centrais sindicais e organizações sociais convocaram um ato com concentração às 14h, na rua Dr. José Roberto Sales, 44, próximo ao Projeto 4 Varas. Já na avenida Beira-Mar, um segundo evento, liderado por representantes do campo conservador, começou 16h, em frente ao aterro da Praia de Iracema.

O ato da Barra do Ceará teve como lema “Ocupar as ruas pela vida das mulheres e pelo fim das violências”. Além da denúncia da violência de gênero, os movimentos associaram a data a outras bandeiras políticas e sociais, como a defesa da soberania nacional, o combate à escala de trabalho 6×1 e a legalização do aborto. A programação em Fortaleza aparece, inclusive, entre os atos listados nacionalmente pela Articulação de Mulheres Brasileiras, que tem defendido uma agenda ampla de direitos, democracia e proteção à vida das mulheres.

Na Beira-Mar, a mobilização foi puxada pela deputada estadual Dra. Silvana, pela vereadora Kamila Cardoso, pela ex-deputada Mayra Pinheiro e pela presidente da Associação Cearense Ordem e Liberdade, Mirian Gondim, e teve como lema “Juntas em uma só voz”. O foco anunciado também foi o combate ao feminicídio, tema que tem mobilizado diferentes correntes políticas diante da persistência dos casos de violência letal contra mulheres no país. “Queríamos ter motivos para celebrar, mas infelizmente estamos vivendo uma situação inusitada terrível. No Ceará, o número de casos de feminicídio aumentou 49%. É preciso que haja sensibilidade e políticas públicas efetivas para nos proteger. Chega de conversa fiada, chega de enrolação. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, exigimos ação”, disse Mayra Pinheiro.



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